Uma sofrologista responde às nossas perguntas
Entrevistámos Mélanie Butruille, sofrologista no departamento de Oise, para nos falar da sua profissão e da integração da pintura por números nas suas terapias.

Num mundo em que o bem-estar e a saúde assumem um papel fundamental, cada vez mais pessoas recorrem à sofrologia para lidar com o stress e melhorar a sua qualidade de vida.
1/ É sofrologista no departamento de Oise. Em que consiste a sua profissão? Quais são os princípios da sofrologia?
A sofrologia permite estabelecer E/OU reforçar o equilíbrio entre as emoções, os pensamentos e o corpo com o objetivo de melhorar a qualidade de vida (gestão do stress, gestão das emoções, autoconfiança, distúrbios do sono, por exemplo).
Muito mais do que uma terapia, é um método de treino que permite à pessoa desenvolver capacidades que poderão ser utilizadas para gerir melhor o dia-a-dia.
A sofrologia permite também preparar-se para um evento que causa ansiedade (exame, prova oral, carta de condução…). Ou ainda a acompanhar um tratamento médico (tratamento de dependências, quimioterapia, intervenção cirúrgica…).
Muitos artistas e desportistas de alto nível recorrem a ela para gerir o seu stress. Ajuda também as mulheres grávidas durante a gravidez e, posteriormente, durante o parto.
Para além das suas virtudes terapêuticas, a sofrologia é uma arte de viver. Pode inscrever-se numa abordagem mais global que associe, por exemplo, desporto, meditação, ioga… Embora os sofrologistas utilizem essencialmente a voz como suporte de acompanhamento, contribuindo assim para uma alteração do estado de consciência, a sofrologia é diferente da hipnose. Com efeito, insere-se numa abordagem pessoal e mais abrangente, que privilegia a auto-realização e a autonomia.
3/ Que métodos utiliza na sofrologia?
Durante uma sessão individual, o diálogo com a pessoa é o primeiro passo, talvez o mais importante, pois permite-me conhecê-la, ouvi-la e compreender as suas necessidades e expectativas. A escuta ativa é, portanto, o primeiro método.
Em seguida, utilizo técnicas de respiração, de relaxamento físico e, depois, a visualização.
4/ Pode falar-nos um pouco mais sobre a «Arteterapia»?
É uma técnica que utilizo em sessões coletivas. Durante esta atividade, os participantes libertam-se de todas as resistências e entregam-se sem reservas. Trata-se de uma atividade que lhes permite concentrarem-se noutra coisa que não as preocupações do dia-a-dia, que lhes permite tomar distância da vida e das suas angústias, olhar para as coisas de forma diferente e interagir entre si de maneira positiva.
5/ Como utiliza a pintura por números nas suas oficinas e intervenções em lares de idosos e instituições especializadas?
Antes ou depois de uma sessão de sofrologia, apresento-lhes as pinturas como uma ferramenta que os ajuda a alcançar a mesma sensação de bem-estar e relaxamento.
Os residentes de lares de idosos deparam-se frequentemente com muito tempo «vazio», que ocupam remoendo momentos difíceis, concentrando a sua atenção na(s) sua(s) dor(es), o que os mantém num profundo sentimento de mal-estar.
6/ Que benefícios observou nos seus pacientes durante a criação das suas pinturas?
A pintura por números leva-os a concentrarem-se, permitindo-lhes passar horas nas suas telas e ver surgir diante dos seus olhos a paisagem que imaginámos durante a sessão de sofrologia.
Os seus comentários são muito positivos, informando-me que já não pensam em nada, nem mesmo no tempo que passa, permitindo-me vislumbrar um momento das suas vidas.
«Não pensava em nada, tal como quando fazia jardinagem com o meu pai», «a mesma sensação de quando tricotava camisolas para os meus filhos»
Durante esse instante fora do tempo, ficam mais abertos, libertos e partilham comigo os seus pensamentos e sentimentos, por vezes reprimidos há muito tempo.
7/ Qual é o impacto na vida deles e nas suas famílias?

Em seguida, expomos as telas na sala comum, onde as famílias vêm passar algum tempo com os seus idosos. É um motivo de orgulho para eles explicarem que contribuíram para os resultados.
Uma jovem de cerca de vinte anos, que veio visitar a avó, descobriu as telas e acabou por adquirir duas… um magnífico momento de transmissão.
8/ Que modelos aconselham para cada faixa etária?

Os adolescentes optam por quadros modernos, como o modelo do macaco com capacete, ou animais, por exemplo. Gostei muito de trabalhar com eles no quadro do gatinho, cujo reflexo numa poça de água revela um tigre. É uma metáfora muito bonita que nos permitiu abordar a autoconfiança, a imagem que os outros têm de nós, a autoestima…
Os adultos optam por uma lembrança de uma viagem ou por uma decoração para uma divisão específica (onde será útil).
Os idosos optarão por uma tela com um nível de dificuldade baixo, para que as áreas a pintar sejam suficientemente grandes, e escolherão, geralmente, uma paisagem colorida.
Um grande obrigado a Mélanie Butruille por este testemunho.
Mélanie Butruille – Sofrologista / Relaxologista
3 bis rue Jules Ferry
60250 MOUY
06 15 62 67 80
